Escolha uma Página

Representantes das entidades médicas, preceptores, professores, acadêmicos e coordenadores de cursos de medicina de Belo Horizonte e interior do estado estiveram na Associação Médica de Minas Gerais (AMMG), dia 25 de novembro, para o II Fórum de Discussão sobre a Formação de Futuros Médicos. Eles debateram sobre a qualidade do ensino ofertado e instituíram a Comissão Estadual de Ensino Mé- dico. Coordenado pela diretora de Promoções Culturais da AMMG, Maria Aparecida Braga. O evento contou com três importantes palestras, seguido de análise e troca de experiências.

“Este encontro é para instituir a Comissão Estadual de Ensino Médico, composta por representantes das principais entidades e por coordenadores de cursos ou pessoas indicadas pelas escolas, a fim de começar a pensar soluções às questões que muito nos preocupam. Uma delas versa sobre a abertura de cursos sem controle que resulta no despreparo dos profissionais, muitas vezes, colocados na linha de frente da assistência. Para atuar na medicina é preciso vocação.”

O diretor acadêmico da EduQualis – Educação de Qualidade, Aécio Freitas Lira, apresentou um comparativo entre as escolas de engenharia que tiveram um crescimento explosivo a partir de 1996/1997, com a permissão para estabelecimento de faculdades com fins lucrativos. “As escolas de medicina foram as últimas a seguirem este movimento do mercado. Há uma forte mudança nos controles societários das instituições e abertura de novas vagas, com baixa qualidade dos serviços.” Lira explicou que em 2014, segundo o último Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), o Brasil possuía 956.800 mil alunos de engenharia e 81% deles obtiveram notas um, dois e três numa escala de cinco. “Foram classificados como ruins ou péssimos pelos critérios do Ministério de Educação. A medicina segue o mesmo percurso. Dos 106 cursos avaliados pelo Enade, em 2013, 60% receberam notas um, dois e três.” Para o diretor é preciso manter o foco no controle dos processos de ensino e aprendizagem para que os cursos não percam a qualidade. “Parcerias também são importantes para trazer experiências de sucesso que possam ser multiplicadas.”

O diretor de novas metodologias da Faculdade da Saúde e Ecologia Humana (Faseh), Cláudio de Moura Castro, afirmou que há carência de uma análise mais profunda da pedagogia aplicada. “É necessário saber o que vai instruir e dominar a arte de lecionar. O aprendizado inclui o ensino experimentado. Aplicar não é lembrar, mas usar o aprendido. A medicina é uma carreira com boas articulações entre teoria e prática, mas que só ocorre a partir do terceiro ano, na maioria das escolas. Temos que trazer ideias estruturantes para a sala de aula.”

Para Aécio Lira é preocupante a semelhança na baixa qualidade dos serviços avaliados entre as escolas de engenharia e medicina

Para a vice-coordenadora do curso de medicina da Faseh, Márcia Beatriz de Souza, o professor tem um papel fundamental nesse processo de qualidade do ensino e, por isto, precisa participar ativamente das atividades de atualização e capacitação, envolvendo o discente, principalmente, os mais dispersos. “Além das provas é preciso reconhecer as habilidades e estimulá-las. O bom professor tem que chamar o aluno também para as questões éticas.”

O coordenador do Grupo de Estudo e Desenvolvimento do Acadêmico de Medicina (Gedam) da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (FM UFMG), Pedro Henrique Rocha Caldeira, relatou o sucesso da proposta que hoje congrega 130 alunos dos diversos períodos. “O objetivo é entender os interesses e as dificuldades dos participantes. No primeiro encontro há até dez estudantes que são guiados por um tutor. O programa inclui técnicas de estudo, tempo e análise de casos. As reuniões ocorrem uma vez por semana e têm duração de até duas horas.” Quanto à fiscalização das faculdades, o conselheiro do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM MG), Itagiba de Castro Filho, esclareceu que a entidade é uma autarquia, com limitação para atuar junto às escolas. “Só podemos fazer o que a lei permite. Estamos à disposição, mas precisamos ser chamados pelas instituições para participar.” A diretora da Sociedade de Acadêmicos de Medicina de Minas Gerais (Sammg), Juliana Alves da Silva, lembrou da criação do Código de Ética do Estudante de Medicina (Ceem), proposto pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), e considerou que esta é uma boa oportunidade para entidades e alunos trabalharem juntos.