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 O setor de saúde no Brasil aproxima-se de um momento de concentração. Esta foi uma das conclusões do painel “Fusões & Aquisições no Mercado da Saúde”, promovida na manhã de hoje (6/12) pela EduQualis, uma instituição educacional com foco em ensino, gestão e inovação, de Belo Horizonte, que reuniu 40 executivos de hospitais, clínicas e operadoras de planos de saúde de Minas Gerais, além de consultorias e prestadores de serviços que atuam na área.

 “A oncologia liderou uma primeira onda de consolidação da saúde no Brasil, mas esse movimento ainda é incipiente: apenas 3% do setor de saúde já passou por este processo e há muito ainda para acontecer”, afirmou Marcelo Guimarães, presidente do Hospital Vera Cruz e ex-CEO do grupo Oncoclínicas, um dos palestrantes convidados do evento. “Nos Estados Unidos a consolidação já alcançou 30% do setor”, comparou.

 A concentração no Brasil acontecerá, cedo ou tarde, porque os operadores de saúde precisam melhorar os índices de sustentabilidade econômica do negócio. “Há enormes diferenças entre custo e remuneração”, afirmou o Dr. Reginaldo Teófanis, diretor da Associação dos Hospitais de Minas Gerais, presente ao evento. “A sub-remuneração está levando ao fechamento de alas inteiras nos hospitais”, exemplificou o Dr. Manoel Guimarães, presidente do Conselho do Hospital da Baleia, que assistiu ao debate.

 Gustavo Vilela, sócio da EY na área de projetos de infraestrutura, concessões e PPPs na área de Saúde, outro dos palestrantes, apontou que os problemas passam por gestão e escala. “Consolidados em grupos ou redes, as organizações podem ser geridas de forma mais profissional e ativa”, comentou. Para ele, é preciso mudar o modelo de negócio do setor no Brasil, baseado no grupo de médicos que fundamum hospital, participando da administração enquanto clinicam.

 Muitas vezes esses médicos não estão preparados para negociar com potenciais investidores, que começaram a chegar depois que o governo liberou a participação de capital estrangeiro na saúde, em 2015.“O setor também é mal financiado, porque os operadores de saúde não conseguem oferecer garantias ao setor financeiro”, exemplificou Vilela. “A profissionalização administrativa e de governança no setor é uma necessidade”, confirmou Aguinaldo Diniz, do conselho diretor do Hospital Felício Rocho, um dos convidados.

 “No Brasil, o setor é pulverizado por pequenas clínicas, com baixa escala de operação, o queafeta os custos”, disse o palestrante Marcelo Guimarães. No Brasil os hospitais têm em média 70 leitos, contra uma média de 150 leitos nos EUA. “A tendência é clara: buscar especialização e escala”, disse Guimarães, apontando que num mercado como os Estados Unidos existem redes de prontos-socorros, por exemplo, com 200 ou 300 unidades de atendimento. “A US Oncology, dedicada à oncologia, tem uma rede de 500 clínicas”, citou como exemplo.

 “O setor somente alcançará um novo patamar de eficiência se todos os elos da cadeia da saúde forem atingidos por um movimento de profissionalização”, afirmou o Dr. Ricardo Guimarães, dono do hospital oftalmológico que leva seu nome e que é também fundador da EduQualis, promotora do evento. “Além dos hospitais temos de pensar nas faculdades de medicina, nos fornecedores da área e em tantos outros atores envolvidos no processo”, comentou. “Hoje falta quem se dedique ao estudo e ao ensino da gestão aplicada à área da saúde, por isso criamos a EduQualis.”

O painel “Fusões & Aquisições no Mercado da Saúde”, mediado pelo professor Carlos Arruda, diretor do Centro de Inovação da Fundação Dom Cabral (FDC), foi o primeiro de uma série de debates que serão promovidos pela EduQualis a partir do próximo ano. Cinco deles estão previstos para 2017: “Como preparar as instituições de saúde para receber investimentos”, em março;

“Estratégias digitais no setor de saúde”, em maio; “Gestão de performance em healthcare”, em julho; “Gestão financeira no setor de saúde”, em setembro, e “Gestão da inovação em empresas de saúde”, em novembro.